Por Adm. Prof. Douglas De Matteu, PhD
Publicado originalmente na Revista Líderes, edição 14, maio/junho de 2026, páginas 13 a 16. Seção: Desafios do Líder.

A liderança sempre passou pela comunicação. Mas, no mundo atual, essa verdade ganhou uma nova urgência.
Liderar não é apenas definir metas, cobrar resultados ou organizar processos. Liderar é influenciar pessoas. E não existe influência verdadeira sem comunicação clara, humana e autêntica.
Vivemos em uma época em que os influenciadores digitais se tornaram referência de atenção, proximidade e engajamento. Gostemos ou não desse fenômeno, há algo que líderes precisam observar com humildade: influenciadores, invariavelmente, comunicam-se bem. Eles sabem criar linguagem, ritmo, presença, repetição, identificação e proximidade com seu público.
Não é apenas sobre aparecer. É sobre parecer próximo.
O bom influenciador entende a dor da audiência. Usa exemplos simples. Fala de forma direta. Cria histórias. Repete ideias centrais. Mostra bastidores. Compartilha vulnerabilidades. Gera sensação de convivência. Faz a pessoa sentir: “ele está falando comigo”.
Essa capacidade de criar proximidade explica parte da força da influência contemporânea.
Não por acaso, a palavra do ano de 2025 eleita pelo Cambridge Dictionary foi “parasocial”, ou “parassocial”.
O termo descreve uma conexão sentida por alguém em relação a uma pessoa famosa, personagem ou até uma inteligência artificial, mesmo sem conhecê-los pessoalmente. Segundo o Cambridge, o interesse por essas relações unilaterais com celebridades, influenciadores e chatbots de IA impulsionou a escolha da palavra em 2025.
Esse fenômeno revela algo importante para a liderança: as pessoas desejam proximidade. Querem sentir que são vistas, ouvidas e compreendidas. Querem se conectar com vozes que pareçam reais em um mundo cheio de mensagens automáticas, frias e impessoais.
A questão é que o líder não deve tentar virar um influenciador no sentido superficial do termo. Ele não precisa performar, teatralizar ou construir uma imagem artificial. Mas precisa aprender com esse movimento uma lição essencial: quem não comunica com proximidade perde espaço para quem comunica com presença.
Dentro das empresas, muitos líderes ainda se escondem atrás de cargos, planilhas, e-mails longos e reuniões protocolares. Falam muito, mas conectam pouco. Informam, mas não inspiram. Cobram, mas não engajam. Apresentam metas, mas não constroem significado.
E então se perguntam por que as pessoas parecem distantes, desmotivadas ou resistentes.
A resposta, muitas vezes, está na comunicação.
O líder influente não é necessariamente o mais carismático, o mais extrovertido ou o que fala melhor em público. É aquele que consegue gerar confiança. E confiança nasce quando existe coerência entre fala, intenção e atitude.
Aqui entra um ponto fundamental: não existem fórmulas mágicas para ser influente. Não há frase pronta, gatilho mental ou técnica isolada capaz de substituir verdade, preparo e consistência. Mas existem técnicas, práticas e caminhos que ajudam o líder a desenvolver sua comunicação.
A Programação Neurolinguística, conhecida como PNL, oferece contribuições importantes nesse processo. Um dos seus fundamentos é que cada pessoa interpreta o mundo a partir de seus próprios mapas mentais. Isso significa que a mensagem enviada pelo líder nem sempre é a mensagem recebida pela equipe.
Um líder pode falar em “mudança” e a equipe ouvir “ameaça”. Pode falar em “desafio” e alguém interpretar como “pressão”. Pode falar em “alta performance” e gerar a sensação de cobrança excessiva. Por isso, comunicar bem não é apenas escolher boas palavras. É entender como as pessoas percebem, sentem e processam aquilo que está sendo dito.
A PNL também destaca a importância do rapport, ou seja, da capacidade de criar sintonia. Rapport não é imitação mecânica. É presença. É escuta. É adaptação de linguagem. É perceber o ritmo do outro. É construir um ambiente em que a conversa flui com mais confiança.
Outro elemento importante é a modelagem. Grandes comunicadores não nascem prontos. Eles observam, praticam, ajustam e aprendem com referências. Modelar não significa copiar alguém. Significa estudar os padrões de excelência de quem comunica bem e adaptar esses padrões à própria identidade.
O líder pode observar como bons comunicadores abrem uma conversa difícil, como contam uma história, como simplificam uma ideia complexa, como lidam com objeções, como usam pausas, exemplos, metáforas e perguntas. Depois, pode incorporar esses aprendizados ao seu próprio estilo.
Mas há um cuidado indispensável: técnica sem autenticidade vira manipulação.
O líder que tenta usar comunicação apenas para convencer, controlar ou parecer melhor do que é perde credibilidade. Pessoas percebem quando existe artificialidade. A equipe sente quando o discurso é bonito, mas a prática não acompanha. Lembre-se que a influência verdadeira exige autenticidade.
Autenticidade não é falar tudo de qualquer jeito. Também não é usar sinceridade como desculpa para agressividade. Autenticidade é comunicar com verdade, consciência e responsabilidade. É ser claro sem ser frio. É ser firme sem ser arrogante. É ser humano sem perder direção.
Um grande exemplo é Eduardo Feldberg, o Primo Pobre, nosso entrevistado desta edição.
Nesse caminho, muitos líderes precisam de apoio. Desenvolver comunicação exige prática, feedback e autoconhecimento. Ter um mentor, um coach ou alguém capacitado para acompanhar esse processo pode acelerar muito o crescimento do líder.
Um mentor ou coach pode ajudar o líder a perceber vícios de linguagem, melhorar sua presença, organizar melhor suas ideias, lidar com conversas difíceis, ampliar sua capacidade de escuta e fortalecer sua influência de forma ética. Assim como atletas de alta performance têm treinadores, líderes que desejam crescer também precisam de orientação.
Comunicação não é apenas dom. É competência. E competência pode ser desenvolvida.
Estratégias práticas para líderes comunicarem melhor
- Comece pelo porquê: Antes de apresentar uma decisão, explique o sentido. Pessoas se engajam melhor quando entendem a razão por trás da ação.
- Simplifique a mensagem: Se a equipe não consegue repetir a ideia principal, a comunicação ainda não está clara. Clareza é força.
- Use histórias e exemplos: Dados informam, mas histórias conectam. Transforme conceitos abstratos em situações reais.
- Crie proximidade sem perder autoridade: Fale com humanidade, mas mantenha direção. Proximidade não é falta de liderança.
- Observe grandes comunicadores: Estude líderes, palestrantes, professores, influenciadores e comunicadores que geram conexão. Modele padrões, não personagens.
- Peça feedback sobre sua comunicação: Pergunte: “Minha mensagem ficou clara?”, “O que você entendeu como prioridade?”, “Como essa decisão chegou para você?”
- Trabalhe sua presença: Comunicação não é apenas palavra. Tom de voz, postura, olhar, pausa e energia também comunicam.
- Seja coerente: A comunicação mais poderosa do líder continua sendo o exemplo. Se a fala e a prática não combinam, a influência enfraquece.
A comunicação como diferencial da liderança
A liderança do futuro não será sustentada apenas por conhecimento técnico. Ela será sustentada pela capacidade de criar confiança em ambientes complexos, digitais e emocionalmente fragmentados.
O líder que não aprende a comunicar perde relevância. O líder que comunica sem autenticidade perde confiança. O líder que comunica com técnica, verdade e presença amplia sua influência.
Influenciadores entenderam algo que muitos líderes ainda ignoram: proximidade gera atenção. Atenção gera vínculo. Vínculo gera influência.
Mas, para o líder, existe uma responsabilidade ainda maior. Sua comunicação não deve apenas atrair pessoas. Deve desenvolver, orientar, inspirar e mover a equipe para resultados com sentido.
Por isso, comunicar bem é uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea. Não é acessório. É fundamento.
A boa notícia é que essa capacidade pode ser desenvolvida. Com técnica, prática, mentoria, modelagem, feedback e autenticidade, qualquer líder pode ampliar sua influência.
Lembre-se, líderes não são lembrados apenas pelo que disseram. São lembrados pelo que fizeram as pessoas compreenderem, sentirem e realizarem.
E a pergunta que fica é simples: sua comunicação está apenas informando ou está realmente influenciando?
Se você lidera pessoas, comece hoje: escolha uma conversa importante, prepare melhor sua mensagem, escute com mais atenção e comunique com mais presença. A influência que transforma não nasce do improviso. Nasce da intenção, da prática e da coragem de se comunicar melhor.
Sobre o autor

Adm. Prof. Douglas De Matteu, PhD
Doutor em Business Administration, Mestre em Coaching pela Florida Christian University (EUA) e Mestre em Semiótica, Educação e Tecnologia da Informação. Especialista em Gestão de Pessoas com Coaching, Marketing e Educação a Distância, é Trainer em Coaching e Programação Neurolinguística (PNL). Atua como CEO do Grupo IAPerforma, com foco em Treinamento e Desenvolvimento, Consultoria e Mentoring e análise de perfil comportamental. É Professor Universitário na Fatec e na Florida Christian University (EUA), autor de 40 livros e idealizador da Revista Líderes e da Editora IAPerforma, dedicadas ao desenvolvimento de líderes e organizações.