Por Douglas De Matteu, PhD | Revista Líderes — Edição 7

Entrevista publicada originalmente na edição 7 da Revista Líderes. As informações e os cargos refletem o período da entrevista.

Sócias da Hera junto ao banner da empresa, em foto publicada na edição 7 da Revista Líderes

Suzana Oliveira e Bárbara Vallim transformaram um insight em um dos negócios mais promissores do mercado de IA generativa no Brasil. A Hera nasceu da união entre visão de futuro e experiência sólida em tecnologia e liderança. O que começou como uma ideia de agente virtual para turismo virou uma solução inteligente e customizável para empresas, capaz de escalar atendimento, aumentar performance e democratizar o acesso à Inteligência Artificial. Um dos cases mais impactantes foi o da Odontoprev, que obteve um aumento de 63% na receita com a adoção da tecnologia desenvolvida pela startup. Com projeção de faturar US$ 1 milhão em 2025 e já mirando a internacionalização a partir da Espanha, as fundadoras também se preparam para lançar uma imersão voltada à liderança de equipes virtuais. Nesta conversa exclusiva, elas compartilham a trajetória, os desafios, e a visão de futuro da Hera.

Revista Líderes: Como surgiu a Hera?

Suzana Oliveira: Tudo começou de forma bem inusitada. Em dezembro de 2023, a Bárbara me chamou para um almoço — que eu costumo brincar que era “um almoço com intenções”, porque ela apareceu com uma bolsa enorme e um notebook. Ela já tinha uma ideia estruturada para criar um agente virtual voltado ao setor de viagens e até uma demo pronta. Mas logo que começamos a conversar, percebemos que a tecnologia tinha muito mais potencial. Por que não aplicar IA generativa para resolver problemas reais de negócio? E melhor ainda: por que não democratizar o acesso à IA para empresas de diferentes portes? Assim nasceu a Hera.

Bárbara Vallim: De fato, a ideia inicial era um agente de viagens. Mas rapidamente percebemos que poderíamos expandir para outros segmentos. Em apenas 45 dias, já tínhamos o MVP pronto, conversamos com clientes e percebemos que havia demanda. O ano de 2024 foi um ano de aprendizado intenso — testamos, ouvimos o mercado e ajustamos a rota para entregar uma solução robusta para áreas de negócio.

Revista Líderes: Qual é a trajetória de vocês até aqui?

Suzana Oliveira: Atuo na área de tecnologia há 24 anos. Trabalhei em grandes empresas como Oracle e HP, inicialmente com base técnica, mas logo migrei para o comercial e, mais tarde, para gestão. Em 2015, fiz uma especialização em liderança em Harvard, o que ampliou ainda mais meu foco em pessoas. Fui diretora de vendas na Twilio para América Latina, e hoje sou mãe, apaixonada por viagens e defensora da liderança feminina. Participei do Fórum de Liderança Feminina de Stanford em 2022 e levo isso como missão: abrir caminhos para que outras mulheres possam crescer com mais apoio e menos obstáculos.

Bárbara Vallim: Tenho 15 anos de experiência em tecnologia e, há 10, lidero equipes. Passei por setores como logística, saúde, comunicação e tive contato com ambientes de startup e grandes corporações. Trabalhei na Editora Abril, em empresas globais como a Twilio, e empreendi anteriormente na área da saúde. Fui diretora de engenharia global, com atuação em times de 33 países. Isso me deu uma visão 360° de produto — do desenvolvimento à entrega, passando por marketing e vendas. Quando saí da Twilio, percebi que era hora de empreender com propósito. A Hera foi o passo natural. A ideia inicial era chamar o agente de “Sphinx”, uma referência mística ao Egito. Mas, durante os brainstorms, entendemos que “Hera”, deusa grega do casamento e da força feminina, traduzia melhor nosso propósito: tecnologia com inteligência, acessibilidade e olhar humano. O nome também reforça nossa identidade como empresa liderada por mulheres. No logo, “Her” aparece em destaque, fazendo alusão direta ao gênero feminino e à presença da mulher na tecnologia.

Revista Líderes: Para quem não conhece, o que exatamente é um agente de IA?

Bárbara Vallim: Um agente de IA é um sistema que tem autonomia para executar tarefas com base em instruções humanas. Diferente de um simples robô de respostas, ele consegue tomar decisões dentro de um processo, automatizando tarefas repetitivas e operacionais que não exigem pensamento crítico. Esses agentes podem atuar com IA generativa — como texto, imagem ou vídeo — e operam sem necessidade de intervenção humana. Se houver intervenção, já não estamos falando de um agente de IA. A Hera trabalha com essa camada mais avançada de IA, baseada em modelos generativos, que se popularizaram após o lançamento do ChatGPT.

Revista Líderes: E qual é o diferencial da Hera em relação ao ChatGPT, por exemplo?

Bárbara Vallim: O ChatGPT é uma ferramenta poderosa, mas voltada para uso generalista. A Hera, por outro lado, é uma plataforma customizada para empresas. Atuamos em áreas como marketing, vendas, financeiro e atendimento ao cliente, identificando os fluxos dessas áreas e construindo agentes de IA que executam tarefas específicas dentro desses processos. Além disso, a Hera vai além da automação: ela também gera insights com base nos dados das interações. Isso permite que o cliente melhore seus processos com base em dados reais. Nosso diferencial está na personalização, na autonomia dos agentes e na capacidade analítica que entregamos aos nossos parceiros.

Revista Líderes: Pode compartilhar algumas aplicações práticas e cases de sucesso?

Suzana Oliveira: Claro. Uma das coisas mais fascinantes é que os agentes de IA podem ser aplicados em praticamente qualquer área que envolva tarefas repetitivas e comunicação com o cliente. No entanto, com o tempo, percebemos que algumas áreas trazem resultados mais rápidos e expressivos — como vendas, marketing, atendimento e RH. Um exemplo marcante é o da Odontoprev, maior operadora de planos odontológicos do Brasil. Eles nos procuraram com o desafio de aumentar as vendas do e-commerce, que recebia cerca de 80 mil acessos mensais, mas com taxa de conversão baixa. O público deles tem um ticket médio de R$ 59 a R$ 60, e uma linguagem mais informal — muito diferente da terminologia técnica que estavam usando.

Revista Líderes: E qual foi a solução da Hera para esse desafio?

Suzana Oliveira: Desenvolvemos um agente virtual personalizado, que não apenas respondia, mas interagia com os usuários de forma mais humanizada, adaptando a linguagem ao perfil do público. Esse agente não apenas replicava respostas, mas orientava o consumidor na jornada de compra, tirando dúvidas e simplificando os termos técnicos. O resultado foi impressionante: em apenas dois meses, a receita do e-commerce aumentou 63%. Esse case mostra bem a força dos agentes de IA quando são bem posicionados, com dados, linguagem e funcionalidades alinhadas ao negócio.

Revista Líderes: Quais foram os principais fatores que fizeram a Hera gerar um impacto tão expressivo na Odontoprev?

Suzana Oliveira: Além da automação, havia a necessidade de entender o comportamento dos clientes e extrair dados estratégicos das interações. Isso permitiu que a empresa adaptasse suas respostas de maneira mais assertiva. Instalamos um agente virtual no e-commerce e, em apenas dois meses, a receita aumentou 63%. Foi um salto impressionante.

Bárbara Vallim: O retorno foi tão evidente que os próprios executivos da Odontoprev reconheceram que o investimento era inquestionável. É o tipo de case que mostra como a IA bem aplicada transforma o negócio com agilidade e entrega ROI em curto prazo.

Revista Líderes: A solução foi só colocar um agente virtual?

Suzana Oliveira: Não, o agente é só a porta de entrada. O grande diferencial da Hera está em entender profundamente o contexto do cliente. No caso da Odontoprev, por exemplo, percebemos que 48% dos acessos ao site ocorriam fora do horário comercial, e a empresa não tinha cobertura de atendimento nesse período. Para manter uma equipe 24/7, o custo seria altíssimo. Com o agente de IA, foi possível atender essa demanda com eficiência e custo reduzido.

Além disso, os clientes tinham dúvidas técnicas sobre os planos, e a compra era mais racional do que emocional. O agente da Hera foi configurado para traduzir a intenção do usuário em respostas claras e contextualizadas, o que aumentou a confiança na jornada de compra.

Revista Líderes: E os dados extraídos da operação também geraram valor?

Suzana Oliveira: Sem dúvida. O agente nos mostrou, por exemplo, que uma parcela significativa dos acessos não era de consumidores finais, mas de dentistas da rede credenciada buscando informações sobre reembolso e suporte. Isso permitiu reorganizar os fluxos de atendimento, direcionando o público certo para os canais certos, o que otimizou o serviço e abriu novas oportunidades de negócio.

Revista Líderes: E quanto tempo leva para implementar um agente da Hera? É algo técnico ou acessível para áreas de negócio?

Bárbara Vallim: Essa é uma das maiores vantagens da nossa plataforma. Desde o início, pensamos em como tornar a implementação simples e rápida, sem exigir conhecimento técnico em IA ou engenharia de prompts. A interface da Hera é no-code, baseada em formulários e linguagem natural. O usuário preenche os campos, configura as regras, e o agente entra em operação.

Revista Líderes: E como funciona a alimentação de dados para os agentes?

Bárbara Vallim: Temos uma biblioteca integrada, onde o cliente pode subir documentos como planilhas, PDFs, apresentações, conteúdos do site ou ainda conectar via API com os sistemas da empresa. Os agentes conseguem buscar dados dessa biblioteca e também de sistemas externos, executar tarefas e retornar com ações concretas. Por exemplo, em um e-commerce, o agente pode verificar o status de um pedido, abrir uma reclamação ou atualizar um endereço, sem que o cliente precise interagir com um humano. A integração é de dupla via, com total autonomia operacional.

Revista Líderes: E se a empresa não tiver equipe para configurar o agente, vocês também prestam esse serviço?

Bárbara Vallim: Sim. A empresa pode optar por montar os agentes com autonomia ou contratar nossa equipe para configurar tudo. Dependendo do escopo, conseguimos entregar um agente em um dia, uma semana ou duas semanas, no máximo. Somos parceiros das áreas de negócio e também da área de engenharia, que muitas vezes está sobrecarregada. A Hera chega para desafogar essa fila e gerar resultado rápido.

Revista Líderes: A proposta de vocês é democratizar o acesso à IA. Mas isso é mesmo acessível? Ou ainda é algo para grandes empresas?

Suzana Oliveira: A proposta é realmente tornar acessível. A plataforma da Hera é aberta, e qualquer pessoa pode entrar, se cadastrar e já começar a usar. Oferecemos créditos gratuitos para o primeiro acesso e planos que começam a partir de R$ 200 por ano, com suporte incluso. Isso mesmo: por ano. Também temos planos para empresas maiores, como foi o caso da Odontoprev. Nosso objetivo é que desde mentores individuais até grandes empresas possam usar IA de forma prática.

Bárbara Vallim: Exatamente. E além disso, o modelo é pré-pago e sem compromisso fixo mensal. O usuário compra créditos conforme a necessidade. E, para quem não quiser montar seu agente do zero, a gente também oferece uma galeria de aplicativos prontos, que chamamos de HeraS. São mini soluções para tarefas específicas como geração de e-mail marketing, mensagens de WhatsApp, criação de imagens, e até interações com documentos — por exemplo, conversar com um contrato ou manual técnico.

Revista Líderes: Então qualquer pessoa pode acessar agora e já começar a usar um agente?

Bárbara Vallim: Pode sim. Basta entrar na plataforma, criar uma conta e já configurar seu primeiro agente ou usar um dos apps disponíveis. Conforme for usando, os créditos são consumidos, e quando acabar, basta fazer uma recarga. É como um sistema de celular pré-pago — simples, flexível e acessível.

Revista Líderes: Pensando no futuro… Como vocês veem o mundo daqui a cinco anos com essa evolução dos agentes de IA?

Bárbara Vallim: A IA generativa está transformando a forma como nos relacionamos com a tecnologia. Antes, tarefas repetitivas ficavam com a gente. Hoje, com os agentes, conseguimos delegar essas atividades à IA. E essa tendência só vai crescer. Se essa conversa tivesse acontecido há um ano, os exemplos que daríamos seriam bem diferentes. A evolução é muito rápida. O ChatGPT, por exemplo, foi o app que atingiu 1 milhão de usuários mais rápido na história. Isso mostra como a barreira de entrada é baixa, ao contrário de tecnologias como blockchain, que exigem mais especialização.

Revista Líderes: E como será essa presença da IA no dia a dia?

Bárbara Vallim: Cada vez mais invisível e integrada. Em cinco anos, os agentes estarão presentes em ferramentas de trabalho, celulares e até em eletrodomésticos, como geladeiras que sugerem seu almoço. A próxima revolução será tornar tudo isso automatizado, não apenas digital. Hoje, pedir comida ou chamar um carro exige abrir um aplicativo. Amanhã, um agente pode fazer isso por você. Não acho que os apps vão desaparecer, mas o modo de interação vai mudar. Os agentes de IA serão parte da nossa rotina — proativos, autônomos e integrados ao nosso cotidiano.

Revista Líderes: Com os avanços que vocês trazem, parece que estamos caminhando para um futuro em que a tecnologia vai antecipar tudo. É isso mesmo?

Bárbara Vallim: Sem dúvida. Em pouco tempo, você não vai mais ficar navegando por listas de restaurantes para decidir onde comer. A IA vai identificar seus hábitos, perceber que você janta às 20h e vai perguntar: “Quer que eu peça o mesmo de segunda passada?”. A tecnologia vai se antecipar às nossas escolhas e transformar completamente a experiência com softwares. O modelo tradicional de software, como conhecemos hoje, está com os dias contados. Ninguém quer mais clicar em dezenas de botões ou esperar cinco telas carregarem para realizar uma tarefa simples.

A tendência é que tudo seja mais fluido, automatizado e inteligente.

Revista Líderes: E isso vale para a vida pessoal e profissional?

Bárbara Vallim: Totalmente. O software, inclusive a IA, é antes de tudo uma forma de comunicação. Seja para exibir dados em uma planilha ou para se conectar profissionalmente no LinkedIn, a tecnologia existe para organizar e compartilhar informações. O diferencial da IA é que ela se adapta ao perfil de cada pessoa. Seja um adolescente curioso por negócios ou um executivo fazendo transição de carreira, a inteligência artificial será capaz de entregar informação útil, acessível e personalizada. A tecnologia não padroniza — ela se molda a cada um de nós.

Revista Líderes: Suzana, e qual é a sua visão para os próximos anos?

Suzana Oliveira: Acredito que vamos viver um salto no nível de conhecimento da humanidade. Quanto mais tempo conseguimos liberar das tarefas repetitivas, mais espaço abrimos para aprender algo novo. E, ao transformar esse aprendizado em hábito, criamos um ciclo virtuoso de crescimento. É claro que muitas pessoas se preocupam com o futuro das profissões. E o que eu sempre digo é: invista em novas habilidades, em algo que demande sua inteligência, seu senso crítico. A IA cuida do operacional — nós cuidamos da evolução. E as empresas também precisam se preparar para isso, criando espaços e oportunidades para capacitação contínua. Liderar na nova era será também liderar o conhecimento, a reinvenção constante e a criatividade.

Revista Líderes: E como fica o papel da liderança diante dos agentes de IA? Vamos ter que aprender a liderar humanos e algoritmos?

Bárbara Vallim: Sim. O líder agora não será apenas responsável pelas pessoas, mas também pela força de trabalho digital. E essa liderança exige clareza estratégica, visão de processo e capacidade de traduzir objetivos em instruções claras para a IA. Ao mesmo tempo, o líder precisa capacitar a equipe para lidar com essas ferramentas, mantendo a tecnologia alinhada com os valores e metas da organização. É uma liderança mais complexa, mas também mais poderosa — porque une o melhor do humano com o melhor da máquina.

Revista Líderes: Então o líder precisa aprender a orquestrar pessoas e agentes digitais. Como isso muda a dinâmica da liderança?

Bárbara Vallim: Exato. Automatizar não significa “resolver para sempre”. O líder precisa ter sensibilidade estratégica para criar um ambiente onde os agentes de IA possam atuar de forma escalável, eficiente e complementar. E também precisa entender como mesclar o time humano com essa nova força de trabalho digital, maximizando o valor de ambos.

Suzana Oliveira: Tanto é que vamos promover no próximo mês uma imersão voltada para líderes, com foco nesse novo cenário: como liderar times híbridos compostos por pessoas e agentes. É uma realidade que já chegou e que exige um novo tipo de liderança — mais preparada, mais integrada e mais criativa.

Revista Líderes: E quanto ao impacto nos postos operacionais? A IA tende a substituir essas funções?

Bárbara Vallim: É como na Revolução Industrial: as máquinas não acabaram com os empregos, mas transformaram os ofícios. A IA vai eliminar tarefas, não pessoas. Quem entender isso como uma oportunidade e buscar aprender novas competências vai se destacar. A IA libera tempo, e esse tempo pode ser investido em atividades mais estratégicas, criativas e humanas. O colaborador que se limita ao básico pode, sim, sentir o impacto. Mas aquele que enxerga valor em evoluir com a tecnologia vai crescer junto com ela.

Suzana Oliveira: Vamos viver uma era de descoberta de talentos. Pessoas que talvez estivessem escondidas em tarefas repetitivas vão florescer em áreas onde podem realmente agregar valor. A IA pode ser o catalisador de transformações incríveis, tanto individuais quanto organizacionais.

Revista Líderes: E para os líderes que ainda estão inseguros, sem saber como começar, o que vocês recomendam?

Suzana Oliveira: Encare a IA generativa como uma ferramenta de apoio à performance. Eu sou muito focada em resultado, e tudo que me ajuda a entregar mais, mais rápido e com mais qualidade, eu abraço. A Hera, por exemplo, está aqui para apoiar, acelerar e simplificar. Comece pequeno. Teste uma solução simples, perceba os ganhos. Não precisa implantar tudo de uma vez. E, acima de tudo, invista em letramento digital e estratégico — ou seja, saber o que pedir, como pedir, entender o contexto, estruturar comandos e expectativas. IA é poderosa, mas ela só devolve aquilo que você sabe direcionar.

Revista Líderes: O que podemos esperar da Hera nos próximos anos?

Bárbara Vallim: Queremos continuar sendo a ponte entre pessoas e tecnologia, ajudando empresas a integrarem IA em seus processos com eficiência e simplicidade. Nosso foco segue sendo democratizar a IA com qualidade, proximidade e personalização.

Suzana Oliveira: E fazer isso com propósito, sempre. A tecnologia muda, mas nosso compromisso com valor, liderança humana e inovação acessível continua firme. Estamos só começando.

Revista Líderes: Que recado final vocês deixariam para os líderes que ainda estão inseguros com a chegada da IA?

Suzana Oliveira: Minha sugestão é: abra a porta. Encare a inteligência artificial como uma ferramenta de apoio que pode economizar tempo e acelerar resultados. Comece pequeno. Teste algo simples, entenda os benefícios. E mais importante: invista em letramento digital — saber se comunicar com a IA, fazer as perguntas certas, estruturar suas demandas. Isso faz toda a diferença.

Bárbara Vallim: E eu complementaria com uma reflexão: mudança dói, mas é nesse desconforto que surgem os maiores saltos de inovação. A IA está transformando profundamente a forma de trabalhar, como as redes sociais fizeram há alguns anos. Toda vez que uma nova tecnologia chega, o primeiro sentimento é: “E agora?”. Mas logo depois, quem se adapta colhe os frutos. E a IA é, sem dúvida, a tecnologia mais transformadora da nossa geração. Líderes que enfrentarem esse momento com coragem farão história.

Revista Líderes: E como é para vocês, duas mulheres liderando uma startup de tecnologia em um setor ainda dominado por homens?

Bárbara Vallim: Sou formada em Sistemas de Informação. Desde o início, estive em salas com pouquíssimas mulheres. Isso sempre fez parte da minha realidade, e aprendi a construir o meu espaço. Já liderei muitos times de engenharia — a maioria formada por homens. E, sim, existe preconceito sutil, principalmente em reuniões com investidores ou clientes homens, onde percebemos perguntas diferentes das que seriam feitas a um homem. Mas criamos ferramentas emocionais e técnicas para superar essas barreiras. E hoje temos orgulho de dizer que a maioria do nosso time é formado por mulheres. Somos três sócias: eu, a Suzana e a Franciane. Queremos ser referência e inspiração para outras mulheres.

Suzana Oliveira: Minha trajetória também foi toda na tecnologia. Sempre convivi em ambientes majoritariamente masculinos. Mas levou um tempo até eu virar a chave e entender que o feminino é um diferencial, não uma barreira. Temos uma leitura de

ambiente, um cuidado com o cliente e uma capacidade de entrega que são características fortes nossas. No fim das contas, o que importa é o resultado. Se o cliente está sendo bem atendido e a solução funciona, pouco importa se quem está falando é uma mulher, um homem ou até um agente de IA. Estamos aqui para somar, e fazemos isso com excelência, empatia e foco no sucesso do cliente.

Revista Líderes: Qual a mensagem que fica para quem está lendo essa matéria agora?

Suzana Oliveira: Não espere o futuro chegar. Ele já está aqui. Comece a se aproximar da IA de forma prática, acessível e estratégica. A Hera está aqui para ajudar.

Bárbara Vallim: E não tenha medo de mudar. Toda inovação exige uma dose de coragem. E você pode começar agora, com poucos cliques.

Revista Líderes: Qual conselho vocês deixariam para mulheres que desejam seguir carreira em tecnologia ou empreender?

Suzana Oliveira: Vai! Simples assim.

Bárbara Vallim: Faz! Se tem vontade, vai. Só você pode fazer isso por você. Busque redes de apoio, comunidades de mulheres em tecnologia e empreendedorismo — elas existem e são potentes. E mais: não tenha medo de ser cara de pau. Admira alguém no LinkedIn? Manda uma mensagem, convida para conversar. Eu mesma fiz isso várias vezes — e continuo fazendo. A gente chegou aqui porque outras mulheres também abriram caminhos, então agora é nossa vez de compartilhar e inspirar.

Suzana Oliveira: A jornada é desafiadora, sim, mas existe uma força feminina incrível, uma sororidade real. E a tecnologia precisa desse olhar — empático, analítico e ao mesmo tempo humano. Então, venham!

Revista Líderes: E quais foram os principais resultados da Hera até agora? E quais os próximos passos?

Bárbara Vallim: Somos muito orgulhosas do que conquistamos em tão pouco tempo. Lançamos a Hera oficialmente em janeiro do ano passado e batemos 110% da nossa meta de receita no primeiro ano. Validamos o produto, crescemos, e agora estamos prontas para escalar. Neste primeiro trimestre de 2025, fechamos nosso primeiro cliente internacional, na Espanha, o que marca o início da nossa jornada de internacionalização. O foco segue sendo Brasil e México, que têm os maiores mercados de IA da América Latina, mas o nosso roadmap já prevê crescimento global com responsabilidade e sustentabilidade.

Suzana Oliveira: Em números, em 2024 faturamos R$ 437 mil. A meta para 2025 é faturar US$ 1 milhão e alcançar 66 clientes ativos — hoje temos 11. O crescimento é ousado, mas acreditamos nele porque temos produto, propósito e resultados concretos. E com os agentes de IA, tudo é mais escalável.

Revista Líderes: E qual é o legado que vocês querem construir com a Hera?

Bárbara Vallim: Desde o início, pensamos a Hera como uma empresa com impacto positivo. Além de entregar resultado para os nossos clientes, queremos devolver à sociedade. Um exemplo é a parceria com a Pulse Mais, uma organização que capacita jovens de baixa renda para o mercado de tecnologia. Atuamos com mentoria, doação de acesso à nossa ferramenta e trilhas de aprendizagem em IA. Além disso, temos preocupação com a sustentabilidade ambiental, já que a IA consome muita energia. Estamos nos conectando com empresas de ESG para entender como podemos operar com mais responsabilidade ambiental — porque não é só sobre resultado, é sobre o impacto que deixamos.

Suzana Oliveira: A Pulse faz um trabalho lindo de inclusão educacional e empregabilidade. E ao anteciparmos o contato desses jovens com a IA, damos a eles uma vantagem competitiva no mercado. É o que podemos fazer agora com nossos recursos, mas sempre com a visão de ampliar o alcance. No lado dos negócios, o legado que queremos deixar é esse: empresas que aumentaram suas receitas, inovaram com segurança e eficiência, e cresceram com o apoio da Hera. E quem sabe, líderes que se destacaram e foram promovidos por terem apostado na inovação.

Jogo rápido — Bárbara Vallim

Hera.Build é: Democratização.

Empreender é: Arriscar.

Inteligência Artificial representa: Autonomia.

Agentes de ação são: Aliados.

O futuro é: Agora.

Família é: Apoio.

Um hábito que transforma é: Se desafiar.

Uma mulher que inspira é: Mary Curie e Cris Junqueira.

Um conselho inesquecível: “Você não sabe de tudo.”

Liderança é: Servir.

Inovação é: Disrupção.

Jogo rápido — Suzana Oliveira

Hera.Build é: Força democrática.

Empreender é: Resiliência.

Inteligência Artificial representa: Uma vida mais fácil.

Agentes de ação são: Amigos.

O futuro é: Agora.

Família é: A minha base.

Um hábito que transforma é: Exercício.

Uma mulher que inspira é: Bárbara Vallim.

Um conselho inesquecível: “Faz o teu.”

Liderança é: Inspirar.

Inovação é: Resultados inteligentes.

Em um cenário em que a inteligência artificial avança em velocidade exponencial, agora estamos entrando na era dos Agentes de IA, nesse sentido a Hera build não apenas acompanha essa transformação — ela a lidera com propósito de democratizar o acesso para empreendedores e empresas. A história de Suzana Oliveira e Bárbara Vallim inspira por sua coragem de inovar em um território tradicionalmente masculino, criando um ecossistema que une tecnologia, inclusão, sustentabilidade e impacto social. Liderar pessoas já é um desafio. Liderar pessoas e agentes digitais exige um novo olhar — mais estratégico, humano e adaptável. E a Hera é uma empresa brasileira que está na vanguarda dessa nova liderança. Que esta entrevista sirva como um convite à ação para lideres, gestores, empreendedores e visionários: a era da IA não é mais sobre o futuro — é agora. E como vimos, quem lidera essa transformação pode ser mulher, brasileira, ousada e colaborativa. Lembre-se, o verdadeiro poder da tecnologia está em quem a conduz e para quê ela é usada.

Sobre o entrevistador

Prof. Douglas De Matteu

Prof. Douglas De Matteu, PhD é CEO do Grupo IAPerforma e editor-chefe da Revista Líderes. Administrador, professor universitário, investidor, jornalista e escritor.

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