Por Prof. Douglas De Matteu, PhD | Revista Líderes — Edição 14

Publicado originalmente na seção Metáfora da edição 14 da Revista Líderes.

Fonte de água generosa ao lado de um poço de pedra

Há líderes que vivem como poços. Guardam tudo dentro de si.

Guardam conhecimento, oportunidades, reconhecimento, atenção e afeto. São profundos, têm recursos, têm experiência, mas vivem fechados. Para que alguém receba algo deles, é preciso puxar com força, insistir, provar merecimento, carregar baldes pesados.

O poço até tem água, mas exige esforço de quem está sedento.

Há outros líderes que escolhem ser fonte.

A fonte também carrega água, mas não a aprisiona. Ela permite que a vida passe por ela. Não perde por repartir. Ao contrário: quanto mais flui, mais viva permanece.

A generosidade é isso: a decisão de não transformar bênção em estoque morto.

O líder generoso entende que aquilo que recebeu não termina nele. Conhecimento não foi dado apenas para sua promoção. Influência não foi entregue apenas para sua proteção. Recursos não chegaram às suas mãos apenas para sua segurança. Tudo isso pode se tornar caminho, abrigo, impulso e esperança para outras pessoas.

Na vida, todo líder precisa fazer uma escolha silenciosa: “Serei poço ou fonte?”

O poço pergunta: “E se faltar para mim?” A fonte pergunta: “Quem pode ser alcançado através de mim?”

O poço vive da retenção. A fonte vive do fluxo.

O poço mede o quanto guarda. A fonte revela o quanto transforma.

E aqui está uma verdade espiritual profunda: Deus não costuma fazer rios correrem para dentro de cofres, mas para dentro de terras sedentas.

José do Egito compreendeu isso. Quando chegou ao poder, poderia ter se tornado um poço fechado pela dor. Afinal, havia sido traído, vendido, esquecido e injustiçado. Teria motivos humanos para guardar, controlar e punir.

Mas José escolheu ser fonte.

Quando a fome chegou, ele não usou sua posição para alimentar a vingança. Usou sua posição para alimentar vidas. O que estava em suas mãos não era apenas poder. Era provisão. Era missão. Era resposta de Deus para uma geração inteira.

A generosidade começa quando o líder percebe que não é dono da água. É apenas canal.

E quando essa consciência entra no coração, muda a forma de liderar. O olhar muda. A escuta muda. A decisão muda. O uso do poder muda.

Porque o líder generoso não pergunta apenas: “O que posso conquistar?” Ele pergunta: “O que pode florescer por meio da minha liderança?”

E talvez essa seja uma das maiores marcas da espiritualidade aplicada à liderança: permitir que Deus transforme nossas mãos fechadas em fontes abertas.

Lembre-se, a pergunta permanece: quando pessoas sedentas se aproximam da sua liderança, elas encontram um poço difícil de acessar ou uma fonte que reparte vida?

Sobre o autor

Prof. Douglas De Matteu

Prof. Douglas De Matteu, PhD é CEO do Grupo IAPerforma e editor-chefe da Revista Líderes. Administrador, professor universitário, investidor, jornalista e escritor.

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