ISSN 2965-9280
A Revista Líderes apresenta como a música é um elemento essencial de bem-estar, qualidade de vida e saúde mental, moldando identidades e expectativas sobre o mundo digital e a colaboração. À frente dessa transformação está a School of Rock, liderada por Paulo Portela, que não só potencializa talentos musicais, mas também lapida futuros líderes e empreendedores, integrando a experiência de artistas consolidados em um processo de mentoria que transcende o palco. Prepare-se para uma leitura que harmoniza gestão e superação.
Vamos mergulhar nas respostas na Entrevista Exclusiva com Paulo Portela, CEO da School of Rock
Revista Líderes: Para iniciarmos nossa conversa, Paulo, gostaríamos que você compartilhasse conosco um pouco sobre quem é Paulo Portela, sua trajetória profissional e como a School of Rock surgiu em seu caminho.
Paulo Portela: Minha formação foi em Ciências da Computação pela Unicamp, e minha carreira começou na IBM, onde permaneci por 27 anos. Lá, atuei em diversas áreas, incluindo técnica, vendas e recursos humanos, e cheguei a vice-presidências, além de presidir uma subsidiária, a Branis, uma joint venture com a Caixa Econômica Federal. Paralelamente a essa jornada corporativa, sempre nutri uma forte vontade de empreender. Já era investidor em vários negócios antes de deixar a IBM, como incorporadoras e empresas de investimento em restaurantes e franquias.
A decisão de investir na School of Rock se deu por uma confluência de fatores. Venho de uma família de educadores e músicos – meu pai era professor de música, então a afinidade com educação e música sempre esteve presente. Minha esposa, por sua vez, pesquisava formas alternativas de educação devido a desafios de saúde mental de nossos filhos, que enfrentavam pânico escolar. A ideia de investir na School of Rock solidificou-se após uma experiência marcante ao assistir a uma apresentação dos “All Stars” em Nova York, combinada com minha busca por um novo investimento no setor de franquias de serviço. A descoberta da School of Rock na capa de uma revista de franquias selou o interesse.
Revista Líderes: Você mencionou que era uma criança tímida. Como essa experiência pessoal moldou sua visão sobre o potencial transformador da School of Rock para crianças e adolescentes?
Paulo Portela: De fato, eu fui uma criança tímida, e isso me impulsionou a buscar ferramentas para superar minhas limitações. Mesmo no mundo corporativo da IBM, onde cheguei a gerente e diretor de RH, a dificuldade de falar em público persistia, o que me levou a procurar cursos de oratória. Essa experiência pessoal me fez valorizar muito o impacto que a School of Rock pode ter. A escola ajuda crianças e adolescentes a desenvolver a performance no palco e a superar a timidez, o que é algo com o qual me identifico profundamente.
Revista Líderes: A School of Rock é uma rede global. Poderia nos atualizar sobre os números atuais da operação e o papel da unidade brasileira na inovação global da marca?
Paulo Portela: Atualmente, a School of Rock conta com 430 unidades em 21 países e atende 75.000 alunos globalmente. O Brasil se destaca como a segunda maior operação, com quase 10.000 alunos presenciais e 32.000 alunos em nossa plataforma digital. A School of Rock no Brasil tem um papel de vanguarda, propondo inovações que, se bem-sucedidas, são analisadas, produtizadas e implementadas globalmente, como os projetos “Rock the Schools” e “touring”.
Revista Líderes: Qual é a missão e a metodologia pedagógica da School of Rock, e como ela se diferencia de outras escolas de música?
Paulo Portela: Nossa missão é enriquecer e transformar vidas através do ensino de música baseado em performance e experiências. Utilizamos uma metodologia de “pirâmide invertida” que foca no show como o centro do aprendizado. Os ensaios e as aulas de instrumentos são complementares ao objetivo de se apresentar, incentivando a socialização e um ensino contextualizado. Nossos shows são grandiosos, realizados em casas de shows renomadas, proporcionando uma experiência imersiva que inclui estudos sobre os temas sociais da época das músicas e gamificação através de um aplicativo.
Revista Líderes: Além da formação musical, que outros benefícios a School of Rock oferece, e qual o perfil dos seus alunos, considerando a grande parcela de adultos?
Paulo Portela: A School of Rock cria um mercado único. Atendemos não apenas aqueles que desejam ser músicos, mas principalmente pessoas que buscam a música para gestão do estresse, socialização e autoestima; 80% dos alunos são motivados por esses fatores. A rede de escolas possibilita a realização de festivais e a criação de bandas, como a Houseband e Master Band, que incluem alunos adultos. Aliás, 35% dos alunos são adultos, buscando a escola principalmente para gestão de estresse.
Revista Líderes: O impacto da School of Rock na vida dos alunos é notável, a ponto de ex-alunos se tornarem franqueados. Como a escola fomenta esse ambiente e atrai empreendedores?
Paulo Portela: A School of Rock proporciona um ambiente familiar e acolhedor. Vemos crianças que chegam tímidas, e no primeiro show, já estão se apresentando com desenvoltura no palco. Muitos franqueados da School of Rock são pais de ex-alunos que testemunharam o impacto positivo da escola em seus filhos e se apaixonaram pela metodologia, decidindo investir na franquia.
Revista Líderes: Como a School of Rock garante a qualidade de seu corpo docente e investe no desenvolvimento de seus professores?
Paulo Portela: A School of Rock se destaca por ter um diretor musical pedagógico em cada unidade, responsável pela contratação e desenvolvimento dos professores. Nossos professores passam por um rigoroso processo de certificação, que inclui treinamento online, presencial e vivencial, com recertificação anual e foco em ética, comportamento e segurança física e mental dos alunos.
Revista Líderes: Em um cenário de constante avanço tecnológico, como a School of Rock integra a tecnologia ao ensino e qual é a visão para o uso da inteligência artificial?
Paulo Portela: Utilizamos a tecnologia para otimizar o ensino e o atendimento. Temos um aplicativo gamificado para o estudo em casa, que registra o desempenho dos alunos e permite que os pais acompanhem o progresso. Durante a pandemia, adaptamos nossa metodologia para aulas online, inclusive com uma parceria com o Zoom para otimizar a qualidade do áudio para instrumentos musicais. Apesar do sucesso digital, o presencial é o modelo preferencial, especialmente para socialização e performance. A plataforma digital, com 32.000 alunos, funciona como ferramenta de conveniência e retenção, principalmente para adultos. Estamos explorando o uso de inteligência artificial para otimizar o atendimento de leads e gerar relatórios pedagógicos mais estruturados a partir dos comentários dos professores.
Revista Líderes: Como você descreveria seu estilo de liderança, especialmente na condução da School of Rock e na relação com os franqueados?
Paulo Portela: Descrevo meu estilo de liderança como prático, com “barriga no balcão e vassoura na mão”, demonstrando minha disposição para atuar no dia a dia da operação, desde a abertura de escolas até a seleção de franqueados. Enfatizo que os futuros franqueados devem estar preparados para essa “desconstrução” do papel executivo para o empreendedorismo, que é um processo desafiador.
Revista Líderes: Poderia nos detalhar a evolução da estrutura organizacional da School of Rock e a estratégia por trás da expansão internacional?
Paulo Portela: A School of Rock evoluiu de uma operação direta para uma atuação focada em desenvolvimento de negócios . Crescemos por meio de aquisições, como a plataforma digital, cujo proprietário agora é o diretor de marketing. Também integramos franqueados como gestores internacionais em Portugal e Espanha. Atualmente, a gestão operacional é conduzida por diretores, e eu foco em identificar novas oportunidades de mercado e aprimorar o negócio dos franqueados.
Revista Líderes: Quais são os critérios e as competências mais importantes que vocês buscam em um potencial franqueado da School of Rock?
Paulo Portela: Conforme pesquisas da ABF, a “gestão” é o fator primordial para o sucesso de uma franquia. Para ser franqueado da School of Rock, é essencial gostar de pessoas e música, não sendo necessário ser músico. A capacidade de liderança de equipes é fundamental, especialmente para os diretores musicais, que precisam mobilizar professores sem uma hierarquia formal, baseando-se em uma liderança conquistada e natural.
Revista Líderes: Além dessas competências, quais valores e características-chave os franqueados devem possuir para criar a “customer intimacy” e se tornarem líderes em suas comunidades?
Paulo Portela: A “paixão pela marca” e a capacidade de criar “customer intimacy” (proximidade com o cliente) são competências cruciais. A School of Rock busca que seus franqueados sejam líderes em suas comunidades, criando um ambiente acolhedor e conhecendo os alunos pelo nome, garantindo um atendimento de alto nível e construindo uma comunidade engajada.
Revista Líderes: Com o crescimento acelerado, quais são os desafios atuais da School of Rock, especialmente em mercados urbanos como São Paulo?
Paulo Portela: Um grande desafio, com nossas 83 escolas (75 no Brasil, 8 em Portugal e Espanha), é o desenvolvimento imobiliário, especialmente em São Paulo, que dificulta a localização de espaços e aumenta os custos de aluguel. Para mitigar esses problemas, estamos explorando soluções financeiras, como fundos imobiliários, para ajudar os franqueados com os investimentos em propriedades.
Revista Líderes: Como a School of Rock busca elevar a percepção sobre a importância da música para o desenvolvimento pessoal, além de seu posicionamento na saúde mental e autoestima?
Paulo Portela: O desafio é elevar a percepção sobre a importância da música como parte fundamental do repertório cultural e do desenvolvimento pessoal. Embora a School of Rock tenha se posicionado com sucesso como uma instituição que contribui para a saúde mental e autoestima das crianças através da música, ainda há necessidade de educar pais sobre o valor da música para o desenvolvimento cognitivo e criativo. A estratégia de marketing da escola foca agora em vender a importância da música em um sentido mais amplo, beneficiando todo o ecossistema de escolas de música.
Revista Líderes: Como um apreciador de música, qual sua visão sobre o rock nacional e internacional, e os desafios que novos artistas enfrentam para ganhar visibilidade?
Paulo Portela: No rock nacional, gosto muito de Novos Baianos, Mutantes e Titãs. No rock clássico internacional, Beatles, Led Zeppelin e The Who são meus preferidos. Lamento a falta de oportunidades para novas bandas autorais se exporem, já que muitos estabelecimentos priorizam bandas cover. Também discuto a segmentação do rock no Brasil em comparação com outros países, onde o gênero é mais inclusivo e permeia diversos estilos, como o country.
Revista Líderes: Olhando para o futuro, para quais regiões a School of Rock planeja expandir no Brasil, e como a escola busca diversificar sua abordagem musical para além do rock tradicional?
Paulo Portela: O foco da School of Rock é expandir para a região Centro-Oeste do Brasil, com Campo Grande sendo a escola com o maior número de alunos em pré-abertura até o momento. A empresa também busca quebrar barreiras musicais, incentivando a inclusão de estilos como sertanejo e samba, reforçando que o “rock” no nome da escola representa mais uma atitude do que um estilo musical restrito.
Revista Líderes: Para finalizar, Paulo, como a School of Rock contribui para a promoção de novos artistas e a preservação do legado musical no Brasil?
Paulo Portela: A School of Rock faz homenagens a grandes nomes da música brasileira, como Cazuza, e nossas bandas da escola colaboram em grandes eventos, contribuindo para a preservação do legado musical de artistas renomados.
Desejamos que a School of Rock continue a promover novos artistas brasileiros, e convidamos todos os leitores e conhecer uma unidade e sua metodologia de ensino que é verdadeiramente um Show ! Acesse https://www.schoolofrock.com.br/
AUTOR
@arevistalideres
10 Edição – Set/out de 25
Corpo editorial e contato do responsável : Prof. Douglas De Matteu, PhD – Instituto de Alta Performance Humana Ltda
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