Dos Perigos da Fadiga Mental nas Decisões

Publicado originalmente na 6ª edição da Revista Líderes.

cia têm demonstrado que um dos principais fatores de estresse mental é tomar decisões. Artigo recente publicado pela Royal Society Open Finance <Quantificando os custo da fadiga na tomada de decisões= por Tobias Baer e Simone Schnall, mostra que a qualidade das decisões tomadas por agentes financeiros vai se deteriorando à medida que as horas seguidas de trabalho vão passando, com grandes prejuízos para as instituições. No estudo os autores fizeram inúmeros testes e terminam por aconselhar que os executivos façam várias pequenas paradas durante o expediente o que resultará numa sensível melhora na qualidade das decisões.

Tomar decisões com o cérebro cansado é um grande perigo para as organizações. omo tenho discutido em minhas palestras sobre Motivação pela Razão, os estudos atuais de neurociên-C Outros estudos chegaram aos mesmos resultados. Um famoso estudo com magistrados israelenses concluiu que juízes cansados (e com fome) tomam decisões mais desfavoráveis aos réus de forma consistente. O estudo verificou decisões durante os horários do dia e pediu aos próprios magistrados a revisão das decisões quando estavam menos cansados e muitas foram revistas em favor dos réus. Outro estudo mostrou que médicos são mais propensos a prescrever antibióticos, mesmo quando não necessários, quando as consultas eram feitas após longos períodos de atendimento.

Na União Europeia, os motoristas de caminhão são obrigados a descansar por 45 minutos a cada quatro horas e meia de direção, o que trouxe sensível diminuição nos acidentes. Os cientistas mostram que a atividade mental gera enorme cansaço físico, como atesta qualquer pessoa que tenha passado um dia todo em reuniões. Kevin Cashman, da consultoria Korn Ferry, em seu livro <The Pause Principle= afirma com muitos estudos que pausa durante o trabalho fazem aumentar a criatividade e que as melhores ideias ocorrem quando a pessoa está se exercitando, tomando banho ou viajando.

Estes estudos comprovam, mais uma vez, o valor dos intervalos durante o trabalho, seja para tomar um café, relaxar, andar numa área externa da empresa ou mesmo fazer algum jogo que provoque relaxamento mental. Muitas empresas, infelizmente, ainda não aprenderam essas lições e acabam exigindo trabalhos contínuos e estafantes, com grande perda para os colaboradores e para ela própria. Pense nisso. Sucesso!



Prof. Luiz Marins

Sobre o autor

Prof. Luiz Marins, PhD

Antropólogo, professor, escritor, consultor e palestrante, com atuação reconhecida em motivação, comportamento humano e gestão empresarial.

Contato: www.marins.com.br

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