Por Prof. Douglas De Matteu, PhD | Revista Líderes — Edição 9

Artigo publicado originalmente na edição 9 da Revista Líderes.

Líder oferecendo feedback construtivo em uma conversa profissional

No cenário empresarial contemporâneo, a performance individual e coletiva transcende a mera expectativa para se tornar uma exigência fundamental à sobrevivência e à prosperidade. Mas quantos de nós dominam verdadeiramente a arte de nutrir essa performance e transformá-la em uma realidade tangível e sustentável?

A resposta reside em uma ferramenta poderosa, frequentemente subestimada, mas absolutamente revolucionária: o feedback. E aqui não me refiro ao feedback meramente tradicional, protocolar ou relegado a avaliações anuais. Falo de um feedback estratégico, contínuo e profundamente transformador, que exige mais do que boas intenções: demanda capacitação e um compromisso inabalável.

O despertar para a indispensabilidade do feedback

Por muito tempo, o feedback foi percebido como uma recompensa ou, pior ainda, uma punição esporádica. Essa visão é arcaica e ineficaz. Como bem observou Ken Blanchard, “feedback é o café da manhã dos campeões”. Ele não é um luxo, mas o alimento essencial que nutre o crescimento, a correção de rota e a busca incessante pela excelência.

Os dados apresentados na publicação reforçam a urgência. Colaboradores que recebem feedback significativo são muito mais propensos a estar engajados no trabalho. A prática contínua e estruturada também contribui para reduzir conflitos, melhorar o alinhamento estratégico e ampliar o sentimento de pertencimento.

A nova geração de talentos chega ao mercado com expectativas bem definidas: deseja orientação contínua e construtiva. Se uma organização falha em oferecer isso, compromete sua capacidade de atrair e reter o talento que moldará o futuro.

Diante disso, o feedback não pode mais ser considerado apenas uma boa prática. Ele é um imperativo estratégico para qualquer organização que almeja excelência e sustentabilidade no longo prazo.

Além do óbvio: técnicas que geram transformação

Para que o feedback cumpra sua promessa transformadora, deve ser intencional, executado com maestria e incorporado à própria cultura da organização. Não basta apenas “dar um toque”; é necessário aplicar técnica e propósito.

Feedback Burger

Essa técnica organiza a crítica construtiva entre camadas de reconhecimento positivo. Começa com um elogio verdadeiro, apresenta o ponto de melhoria de forma específica e respeitosa e termina com uma mensagem motivadora, reforçando a confiança no indivíduo. É a arte de corrigir sem desmotivar e apontar o caminho sem destruir a autoestima.

Técnica SBI: Situação, Comportamento e Impacto

Para quem busca objetividade e clareza, o SBI elimina a subjetividade ao focar em três aspectos: onde e quando ocorreu a situação, qual foi o comportamento observado e qual foi sua consequência.

É um feedback ancorado em fatos, e não em percepções, o que minimiza a defensividade e maximiza a compreensão. Por exemplo: “Na reunião de ontem, você interrompeu várias vezes os colegas, o que dificultou o andamento da pauta”.

Feedforward

Enquanto o feedback tradicional se volta ao passado para extrair lições, o feedforward se concentra no futuro. Ele não pergunta apenas “o que você fez de errado?”, mas “o que você pode fazer diferente da próxima vez?”. É uma abordagem proativa, capacitadora e estimulante, voltada à construção de comportamentos futuros.

Somente o conhecimento técnico é suficiente?

Dominar essas técnicas no papel é uma coisa; aplicá-las consistentemente e com maestria no dia a dia é outra. Aqui reside a importância crítica do treinamento contínuo e da formação de uma verdadeira cultura de feedback.

Uma cultura autêntica exige um ambiente seguro, no qual o erro seja visto como oportunidade de aprendizado. Demanda líderes que deem o exemplo ao pedir e oferecer feedback ativamente. Requer que o feedback se torne parte normal da comunicação diária, dentro de um processo estruturado e acompanhado.

O exemplo que impulsiona: NB Máquinas

Recentemente, tive o privilégio de ministrar um treinamento intensivo para um grupo de quase 100 líderes da NB Máquinas. A empresa representa grandes marcas do mercado forrageiro, incluindo JF Máquinas e Nogueira Máquinas, com atuação em todo o Brasil e em mais de 50 países.

Nesse contexto de alta performance e expansão, o investimento na capacitação de liderança tornou-se um catalisador de transformação. Os participantes não apenas absorveram a teoria, mas vivenciaram dinâmicas e simulações práticas de feedback.

O resultado foi um impacto tangível na qualidade e na produtividade no campo. Quando os líderes são equipados com ferramentas adequadas e conhecimento para aplicá-las de forma estratégica, cada conversa pode se tornar uma oportunidade de crescimento.

O desafio final

A liderança está intimamente ligada à capacidade de comunicação e ao oferecimento de feedback. É preciso abandonar a noção de que essa é uma competência apenas “agradável de ter”. Trata-se de uma competência crítica, que exige investimento contínuo em treinamento e compromisso da liderança.

“Você está realmente investindo no café da manhã dos campeões ou suas equipes ainda estão famintas por direcionamento e reconhecimento genuínos?”

Chegou o momento de confrontar e questionar as próprias práticas de feedback. A escolha é sua, e o impacto será refletido diretamente nos resultados.

Sobre o autor

Prof. Douglas De Matteu

Prof. Douglas De Matteu, PhD é CEO do Grupo IAPerforma e editor-chefe da Revista Líderes. Administrador, professor universitário, investidor, jornalista e escritor.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *