
Por Douglas De Matteu, PhD | Revista Líderes — Edição 11
Artigo publicado originalmente na edição 11 da Revista Líderes. As informações refletem o período da publicação.
Liderar, em sua essência, nunca foi sobre ter todas as respostas, mas sobre fazer as perguntas certas.
E, ao olharmos para o horizonte de 2025, a pergunta que ecoa nas salas de reunião é: como manter a humanidade e a alta performance em um cenário de complexidade exponencial?
Se você, assim como eu, sente na pele a pressão por resultados equilibrada com a necessidade de cuidar de gente, saiba que não é apenas uma percepção.
É um fato.
Pesquisas recentes confirmam que a gestão de pessoas e a formação de novas lideranças são a "dor número 1" das organizações (Robb Report).
Estamos diante de um cenário desafiador: vivemos uma crise de engajamento onde apenas 39% dos profissionais brasileiros estão verdadeiramente conectados ao seu trabalho (Forbes).
Isso gera uma "erosão silenciosa" de produtividade estimada em R$ 77 bilhões anuais.
Mas, na Revista Líderes, preferimos olhar para o copo meio cheio.
Onde há dor, há oportunidade de crescimento.
Convido você a fazer um download mental das preocupações e focar no que realmente está sob seu controle.
Vamos traçar juntos a rota do Estado Atual para o Estado Desejado.
O desafio real: de chefe a mentor de líderes
A máxima do Coaching é clara: o que te trouxe até aqui não é o que te levará ao próximo nível.
Muitos gestores caem na armadilha de centralizar, quando o segredo da escalabilidade é a descentralização através da formação de novos líderes.
A dificuldade em "arrumar a casa" : focando em gente, processos e cultura não é falta de competência técnica, é falta de intencionalidade.
Pergunto a você, líder: Sua agenda reflete suas prioridades?
Se desenvolver pessoas é o mais importante, quanto tempo da sua semana é dedicado a mentorar seus sucessores?
A liderança eficaz hoje exige vulnerabilidade estratégica.
Não se trata de ser fraco, mas de ser humano.
Criar um ambiente onde o erro é parte do aprendizado (e não motivo de punição) é o primeiro passo para transformar seguidores em líderes.
O antídoto para o desengajamento: ressignificando a conexão
O dado de que 6 em cada 10 colaboradores estão no "piloto automático" é alarmante, mas reversível.
O desengajamento é, muitas vezes, um grito silencioso por propósito e pertencimento.
Na PNL, dizemos que "o mapa não é o território".
O que motiva você pode não ser o que motiva seu time.
O erro clássico é tentar engajar a todos com a mesma régua.
O "presenteísmo" (estar de corpo presente, mas mente ausente) só se cura com conexão genuína.
Plano de ação: quatro pilares para uma liderança pragmática
Para sairmos da teoria e partirmos para a prática, proponho quatro movimentos estratégicos para sua gestão agora:
1. Cultura de Aprendizado Contínuo (Lifelong Learning)
Não espere que a liderança surja por osmose.
Implemente Programas de Desenvolvimento de Líderes (PDL) estruturados.
Mentorias e planos de sucessão não são "custos", são investimentos em resiliência organizacional.
Um time treinado navega melhor na incerteza.
2. Diagnóstico e Escuta Ativa
Você acha ou você sabe?
Utilize ferramentas de assessment, (DISC, SYSPERSONA, PROFILE), pesquisas de clima e feedback 360º para eliminar os "pontos cegos" da sua gestão.
Na PNL, a qualidade da sua comunicação é o resultado que você obtém.
Se o time não engaja, mude a forma de comunicar e ouvir.
3. Flexibilidade como Moeda de Confiança
O modelo de comando e controle morreu.
A flexibilidade (híbrido, horários maleáveis, short fridays) é a nova linguagem de confiança.
Ao dar autonomia, você ativa o gatilho mental da reciprocidade: "a empresa confia em mim, logo, eu entrego o meu melhor".
4. Motivação "Alfaiataria" (Sob Medida)
Personalize o reconhecimento.
Para alguns, o combustível é um bônus; para outros, é um desafio intelectual ou reconhecimento público.
Conheça o "mapa de mundo" de cada liderado.
Quando o colaborador percebe que é visto como indivíduo, e não como número, o engajamento dispara.
Uma reflexão final
Liderança não é um cargo, é uma decisão diária.
Que tipo de líder você escolhe ser hoje?
Aquele que reclama da tempestade ou aquele que ajusta as velas e ensina a tripulação a navegar?
Aqui na Revista Líderes, nossa missão é equipá-lo com as ferramentas para essa jornada.
O caminho é desafiador, mas a vista do topo — com um time engajado e novos líderes formados — vale cada passo.
Vamos juntos rumo à excelência.
Sobre o autor

Prof. Douglas De Matteu, PhD é CEO do Grupo IAPerforma e editor-chefe da Revista Líderes. Administrador, professor universitário, investidor, jornalista e escritor.