Marketing e Música: o poder do Rock n´roll na construção de marcas e emoções

Dr. Edmir Kuazaqui

O Marketing possui muitas ferramentas (como os 8 P´s) e estratégias para construir e manter relacionamentos e longevisar os negócios, produtos, serviços e marcas. E uma das formas estratégicas interessantes e diferentes reside em utilizar conceitos e ideias transformadas em letras e estilos musicais. Como professor, pesquisador e especialista em Marketing e em Comportamento do Consumidor, entendo que devemos utilizar (e por que não ousar) todas formas criativas e inovadoras no sentido de fortalecer as relações entre marcas, por exemplo, e a Sociedade como um todo. Coincidentemente, fui Presidente do fã clube God Save the Queen no Brasil e acompanhei todas as fases não somente  deste grupo, como também de outros importantes representantes de estilos musicais ocidentais, em especial do nosso querido Rock n´roll. Este artigo propõe correlacionar o Marketing com a Música, em especial o Rock n´roll. E como partitura vamos contar um pouco da história do Rock e do Queen como marca. Pronto para um swing de marketing e música? Vamos em frente no sentido de discutir alguns importantes insights sobre o assunto!!!

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O som, melodias e ritmos que move as Marcas e Pessoas

Há sons que vendem sonhos, melodias que eternizam produtos e ritmos que definem estilos de vida. O Rock n´roll (balançar e dançar), em suas múltiplas e variadas vertentes, não é apenas mais um gênero musical — é uma linguagem cultural, uma expressão de identidade e autenticidade de períodos de tempos históricos e que pode e deve influenciar gerações. Desde os tempos em que Beatles e Rolling Stones disputavam corações e mentes, até a era dourada do Queen, o rock se tornou muito mais do que entretenimento: transformou-se em uma ferramenta de posicionamento e influência mercadológica e social. Mais do que um simples entretenimento e/ou forma de se comunicar com o seu público, pode se tornar um verdadeiro vetor de percepções e relacionamentos.

Trata-se de um gênero musical que surgiu nos EUA entre as décadas de 1940 e 1950, derivado de estilos musicais como blues, country e rhythm and blues. O marketing percebeu bem cedo que a música pode ser uma ponte direta com o inconsciente coletivo das pessoas, tornando-se verdadeiros arquétipos emocionais. Ele traduz valores, desperta emoções e cria vínculos duradouros de relacionamentos. Mais do que trilhas sonoras de campanhas, o que se constrói é uma experiência emocional e simbólica, capaz de transformar consumidores  em fãs de bandas e artistas — e produtos em ícones culturais.

A atitude do Rock como marca

O rock é a própria marca em si. Quando Freddie Mercury, vocalista do Queen, subia ao palco, ele não apenas cantava — ele encenava uma identidade social, comunicava um propósito claro e transmitia valores universais. Essa combinação de ousadia, teatralidade e genialidade é a essência do branding emocional. 

Ser diferente, questionar padrões e inspirar liberdade: esses valores são também os pilares do marketing moderno. O público não quer apenas comprar: quer principalmente se reconhecer naquilo que consome. O rock ensina que o poder de uma marca nasce da autenticidade e da emoção compartilhada com seus stakeholders.

Durante os anos em que presidi o fã-clube “God Save the Queen” no Brasil na década de 1980, pude vivenciar o poder dessa conexão. O que unia milhares de fãs não era apenas o som da banda, mas o significado coletivo de ser parte de algo maior. O Queen representava a ousadia, a liberdade criativa e a grandeza emocional — valores que inspiram qualquer estratégia de marca que deseje ser inesquecível.

Do som ao posicionamento: o Marketing da Autenticidade

Na era da hiperconectividade e liberdade de expressão, o diferencial não está apenas no produto e/o na empresa, mas na coerência equilibrada entre discurso e a essência. Marcas como Harley-Davidson, Jack Daniel’s, Converse e Fender compreenderam isso há décadas: seu sucesso não é apenas o visual, mas principalmente o sonoro, o simbólico e o emocional. O rock é capaz de dar voz e vazão à autenticidade que o consumidor moderno procura no seu íntimo.

O chamado branding sonoro — ou sound branding — é considerada atualmente como uma disciplina artística e estratégica de negócios. Selecionar um som e/ou melodia é definir uma identidade cultural. O ritmo, o timbre e a harmonia comunicam atributos tão claramente quanto o design de um logotipo. O rock, com sua energia crua e autenticidade visceral, se tornou um código sonoro universal da liberdade, adotado por marcas que desejam transmitir atitude, emoção e propósito.

Fãs e consumidores: tribos e pertencimento

Antes mesmo das redes sociais, o rock já havia criado suas comunidades. Importante destacar os aspectos motivacionais convergentes para a formação desses grupos com os meios de comunicação disponíveis na época. Ser fã de uma banda — especialmente de uma como o Queen — era pertencer a uma tribo. Compartilhar letras, discos e histórias era viver uma experiência de identidade coletiva.

O marketing contemporâneo busca exatamente isso: criar comunidades em torno de significados compartilhados. Os fãs foram os primeiros influenciadores genuínos, os primeiros brand lovers. Eles não apenas consumiam; defendiam e propagavam a marca com paixão. A analogia é perfeita: o fã-clube é o modelo original do Marketing de Engajamento. Ele mostra que o vínculo emocional é o ativo mais poderoso de uma marca. E que, no fundo, toda marca que deseja ser amada precisa aprender a inspirar — como uma boa banda de rock.

A trilha sonora das marcas e eventos

A música ensina o marketing a emocionar antes de persuadir. Um simples acorde pode traduzir um posicionamento inteiro. A grandiosidade sonora do Queen é uma aula de branding: suas canções combinam inovação, emoção e espetáculo — atributos que toda marca busca em sua comunicação. “Bohemian Rhapsody” do lp (long play) de A night at the opera rompeu todas as convenções do mercado fonográfico da época ao misturar ópera, rock e pop de forma equilibrada e magistralmente. Foi um ato de coragem criativa que inspirou não só músicos, mas também estrategistas de marketing. O público não apenas ouviu: viveu uma experiência única. Essa é a essência de toda marca memorável: provocar sentimentos genuínos, desafiar padrões e deixar uma marca na alma.

Depois, “Somebody to Love”, um gospel forte que manteve a coerência musical do grupo e que manteve, além de outras canções poéticas, o lp A day at the races. News of the world praticamente fechou a trilogia e o hit We are the champions tornou-se a música preferida das formaturas de cursos de graduação no Brasil.

O Rock como a própria metáfora do Marketing Contemporâneo 

O marketing e a música são áreas de conhecimentos e práticas distintas, porém podem (e devem) ter o mesmo propósito: tocar no coração (desculpem o trocadilho) e comportamento de pessoas. Ambos trabalham com emoções, memórias e significados humanos e sociais importantes. E quando se encontram, numa consonância equilibrada, criam algo maior do que campanhas ou melodias — constroem experiências cognitivas que ficam na mente e no coração de gerações. Não se trata da utilização de jingles, mas como toda uma indústria como a musical e fonográfica, por exemplo, pode se correlacionar com o marketing de negócios.

O rock continua sendo uma fonte inesgotável de inspiração para líderes, marcas e criadores. Embora tenha se transformado no decorrer das décadas, ele nos faz refletir que comunicar é muito focado no emocionar, e que ousar é a única forma de permanecer na mente do mercado, como um verdadeiro posicionamento estratégico. Como dizia Freddie Mercury: “I won’t be a rock star. I will be a legend.” Ser lenda é o que toda marca deseja. Mas apenas aquelas  que compreendem a alma da música — e a essência do humano — conseguem  alcançar. God save the Marketing and the Music!!!

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